CLASSIFICAÇÃO DE ÁGUAS DE CULTIVO DE MOLUSCOS MARINHOS QUANTO A COLIFORMES TERMOTOLERANTES A 45ºC NA BAÍA SUL DA ILHA DE SANTA CATARINA - BRASIL

Silveira Jr., N.
Almeida, M. C. C.
Brognoli, F. F.
Couto, F. R.
Fischer, C. E
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RESUMO
Os bivalves marinhos alimentam-se a partir da filtração da água do local onde se encontram. Dessa forma, tudo que é microorganismo presente no plâncton, de certa forma, é fonte de alimento para os bivalves. Assim, é de fundamental importância o conhecimento das condições sanitárias do local de origem de colheita de ostras, mexilhões, vôngoles e vieiras. Para atender a esta necessidade de controle de qualidade do produto, submissão à legislação vigente e em respeito ao público consumidor, foi organizado um sistema de monitoramento das águas de um parque de cultivo na Costeira do Ribeirão, baía Sul da Ilha de Santa Catarina. Os resultados obtidos entre 2001 e 2006 demonstram que os parâmetros satisfazem em muito as exigências da legislação brasileira em vigor.

Palavras chave: maricultura, coliformes, Conama 357.

INTRODUÇÃO
Ostra, mexilhão, berbigão e vieira são moluscos bivalves e como tal, se alimentam filtrando a água do mar. Quando são coletados ou cultivados em locais que recebem efluentes domésticos, bactérias da fonte contaminante tornam-se também alimento para os mesmos. Assim, é de fundamental importância o local de origem de colheita desses produtos.
Coliformes fecais, ou termotolerantes a 45ºC, são bactérias que normalmente habitam o trato digestivo de animais de sangue quente, incluindo o homem. Por isso, esse grupo é utilizado como bioindicador de locais contaminados por dejetos humanos.
Atualmente, a baía Sul da Ilha de Santa Catarina é um dos mais importantes ecossistemas do Brasil no que concerne à ostreicultura e mitilicultura, extração de berbigão e início de pectinicultura.
A finalidade deste trabalho é a de revelar os resultados obtidos ao longo de seis anos de monitoramento constante das águas de um parque de cultivo de moluscos marinhos da baía Sul da Ilha de Santa Catarina, bem como, determinar se essas águas estão dentro dos padrões estabelecidos pela legislação vigente, ou seja, resolução 357 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) de 17 de março de 2005.


MATERIAIS E MÉTODOS
O parque de cultivo rotineiramente estudado quanto à qualidade bacteriológica de suas águas está localizado na região da Costeira do Ribeirão (27º44,350’ S; 48º33,890’ O) baía Sul da Ilha de Santa Catarina. Pertence à Fazenda Marinha Atlântico Sul e, segundo a resolução Conama/357, se enquadra como classe 1, ou seja, águas salinas que podem ser destinadas à aqüicultura e à atividade de pesca.
Periodicamente, amostra de água do mar do parque de cultivo é colhida e remetida ao Laboratório de Análises do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis/SC, o qual é credenciado pelo Ministério da Agricultura do Brasil. Neste laboratório as amostras são analisadas seguindo a metodologia da Américan Public Health Association (APHA/USA, 2005) para a realização de ensaios para coliformes termotolerantes a 45ºC.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
A resolução Conama/357 decreta que as águas salinas de classe 1 deverão observar, no que diz respeito a coliformes termotolerantes a 45ºC, utilizadas para o cultivo de moluscos bivalves destinados à alimentação humana, os seguintes padrões:

  • A média geométrica da densidade de coliformes termotolerantes, de um mínimo de 15 amostras coletadas no mesmo local, não deverá exceder 43 por 100 mililitros;
  • O percentil 90% não deverá ultrapassar 88 coliformes termotolerantes por 100 mililitros.
  • Esses índices deverão ser mantidos em monitoramento anual com um mínimo de cinco amostras.

O programa de monitoramento realizado e apresentado nesse trabalho satisfaz essas exigências. Foram ao longo de 2001 a 2006 oitenta e uma amostragens e em nenhum desses anos a quantidade de análises ficou abaixo de cinco. O resumo dos parâmetros estatísticos exigidos encontra-se descrito na Tab. 1. Na Tab. 2 são pormenorizados os resultados obtidos anualmente.

N:
81
Média Geométrica:
2,65
Percentil 90:
73a observação
73a observação:
17 NMP/100 mL
Tab. 1: Parâmetros estatísticos gerais dos certificados de ensaio de coliformes termotolerantes a 45ºC em água salina de parque de cultivo da Costeira do Ribeirão, baía Sul da Ilha de Santa Catarina.

Ano
n
Média Geométrica
Perc. 90
2001
8
2,20
5,1
2002
12
4,30
23,0
2003
8
2,45
16,0
2004
11
1,78
5,1
2005
21
2,33
17,0
2006
21
3,10
11,0
Tab. 1: Parâmetros estatísticos dos certificados de ensaio de coliformes termotolerantes a 45ºC em água salina de parque de cultivo de moluscos da Costeira do Ribeirão, baía Sul da Ilha de Santa Catarina, durante os anos de 2001 a 2006.

Os resultados mostraram que 75,3% das amostras apontaram NMP/100 mL menor ou igual a 5. Todos os parâmetros estatísticos obtidos estão muito aquém dos padrões exigidos pela legislação vigente no Brasil.
A média geométrica da densidade de coliformes termotolerantes, em número mais provável (NMP), de 81 amostras coletadas no mesmo local, ficou bem abaixo de 43 por 100 mililitros. Não excedeu a 2,65. Com relação aos anos estudados, 2002 foi o que apresentou a maior média geométrica (4,30).
O percentil 90% que não deve ultrapassar 88 coliformes termotolerantes por 100 mililitros, ficou em 17. Na análise por anos estudados, 2002 também foi o que apresentou o maior percentil 90 (23,0).


Fig.1: Histograma de freqüência absoluta dos certificados de ensaios quanto a coliformes termotolerantes a 45ºC em água salina de parque de cultivo de moluscos na Costeira do Ribeirão, baía Sul da Ilha de Santa Catarina, durante os anos de 2001 a 2006.


CONCLUSÃO
As águas de cultivo de moluscos marinhos da região da Costeira do Ribeirão (27º44,350’ S; 48º33,890’ O) estão aptas para a malacocultura, segundo os parâmetros exigidos para coliformes termotolerantes a 45ºC na resolução 357 do Conselho Nacional de Meio Ambiente, de 17 de março de 2005.


REFERÊNCIAS
APHA/USA.2005. Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, 21th edition. Washington, 1368 p.

Trabalho apresentado no XII Congresso Latino-Americano de Ciências do Mar realizdo em Florianópolis de 15 a 19 de abril de 2007.